09/06/2009

Cada um com sua Havaiana


A maioria das revistas espanholas de tendência e de moda foram invadidas por anúncios de Havaianas desde o começo da primavera, que chegou também com uma ação bem divertida em algumas capitais européias (nas fotos, Londres e Paris). Esse mês, porém, os releases devem ter passeado pelas redações porque várias dessas revistas publicaram pequenas matérias sobre o objeto brasileiro mais desejado por aqui. Em uma delas, a Neo2, que por sinal é ótima, o presidente da Havaianas Europa, Eno Polo, fala de algunas curiosidades sobre as "que não soltam as tiras". Conta o case, de como um produto feito para a classe popular virou tendência no mundo inteiro e sobre os costumes internacionais relacionados ao seu uso. Por exemplo:

- A Itália é o país onde mais se vende, mas Portugal é o primeiro em consumo por habitante. A Espanha é o mercado promessa, por suas praias e pelo clima;
- Madrid possui um público muito exigente, difícil e conservador, assim como Milão;
- A empresa vai investir ainda mais pesado no mercado europeu, para que a marca seja cada vez mais conhecida, mas com o diferencial de customizar os modelos para cada país;
- Os franceses adoram as Havaianas de tiras finas, que segundo o diretor, são mais elegantes...com a cara de Paris.

Enquanto o preço por aqui for "made in", a gente continua trazendo nossos modelitos do Brasil...


08/06/2009

Todos os países aqui


Que Barcelona é uma cidade cosmopolita, todo mundo já está de saco cheio de escutar. Que aqui vive gente do mundo inteiro, que é multicultural, blá, blá, blá...As vezes, lendo essas dezenas de matérias que a declaram a mais cool, principalmente para quem está longe dela, dá uma certa irritação. Por que tem infinitos problemas por consequência disso, intolerância, discriminação, um monte de histórias que ninguém cita. Parece fake. Mas na verdade, quando a gente vive o dia-a-dia do lugar, faz muita diferença estar no meio de tanta mistura. Você escuta idiomas estranhos todos os dias, vê gente vivendo das formas mais estranhas possíveis e tem amigos das mais distintas nacionalidades. Lembro que na Copa do Mundo de 2006 vi jogos que jamais veria em outro lugar, só para acompanhar esses amigos. Cada jogo em um bar temático de um país diferente. Engraçado.

Essa semana, por exemplo, a cidade recebe dois eventos bacanas sobre outras culturas. O primeiro é o Portugal Convida, que traz a música, a cultura e a deliciosa comidinha portuguesa para ruas e centros culturais. Noites de fado, degustação de vinhos e shows gratuitos ao ar livre. No próximo fim de semana, a Feira Toute La France invade o porto de Barcelona com stands futuristas (foto abaixo), exposições, queijos e mais vinhos, claro. Sem falar nos inúmeros festivais de música e cinema estrangeiro que pipocam todas as semanas. O Brasil tem os seus. Mas esse já um assunto para outro post...lá por setembro!

Portugal convida: 08 a 14/06
Toute La France: 11 a 14/06


05/06/2009

Quer dormir ou comprar?



Mais um ano o evento Changing Room rompe as portas do moderno Hotel Chic & Basic, em pleno bairro Borne, em Barcelona, trazendo as novas criações dos estilistas alternativos (ou nem tanto) do momento. A idéia já não é nova (acontece desde 2006), mas continuo achando super original. Cada marca possui um quarto, onde expõe os modelitos. Ao visitante, resta escolher suas portas preferidas e levar o que quiser pra casa, geralmente, com preços mais bacanas que o normal. Entre as principais dessa edição, La Casita de Wendy, La Marthe, Gori de Palma, Lawhite, Comentrigo, Luxoir e El Delgado Buil. Vendo as fotos de divulgação, essas que estão por aqui, dá até vontade de ficar pra dormir, não?

v.

03/06/2009

O futuro dos clipes (bons)

Bandas legais sempre estão inventando coisas legais. Além do clipe interativo do Iggy Pop que você já viu aqui, outros dois chamaram nossa atenção estes dias. O primeiro é do Cold War Kids para a canção "I've seen enough", do novo EP que você pode ouvir aqui. Os quatro instrumentos da banda (guitarra, baixo, bateria e teclados) se posicionam no palco e você decide clicando em qual deles você quer que atue. Para cada combinação, uma versão diferente em batidas electro, dubby ou acústico, além da original.


Outro que apresenta uma proposta parecida é o do Arcade Fire na música "Black Mirror", do disco "Neon Bible", de 2007. Releitura do clipe original lançado no ano passado, esta versão está decomposta em seis canais diferentes que você controla com os números do seu próprio teclado. Além de intervir na música, também é possível ver as imagens no negativo apenas usando o botão de 'espaço'. O bacana é ver um clipe cujo ponto de partida não é a música e sim a imagem.

Para vê-los, aqui e aqui

O cara é um loco ou é um gênio?

O "cara" é o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e essa é pergunta que vai ficar no ar hoje. O jornal El País publicou ontem (02/06), uma matéria sobre a suposta proposta de Obama para que o presidente Lula da Silva, esse mesmo, "nosso presidente", seja o próximo responsável pelo Banco Mundial. O artigo teve origem numa matéria da revista Exame e, segundo o colunista Marcelo Onaga, uma fonte segura da Casa Branca teria passado essa informação. O chefe do gabinente de imprensa do Lula, o diplomático Marcelo Baumbach, declarou que "para a Presidência da República o assunto deve ser tratado como rumor, sobre o qual não se deve fazer nenhum comentário". Verdade ou não, a idéia assusta e atrai. A razão seria a tentativa de mudar a visão elitista sobre o Banco Mundial, com um líder que conquistou popularidade internacional por suas políticas sociais. Não é um motivo tão descabelado...mas tampouco tem muita lógica. Não adianta, é preciso pensar na resposta. O mandato do atual presidente, Robert Zoellick, acaba em em 2011, exatamente no ano em que Lula deixa seu cargo no Brasil, no mês de janeiro.

Artigo na íntegra (em espanhol).

v.

02/06/2009

A insensatez de Iggy Pop

Ele canta em francês, admite ter se inspirado en Serge Gainsbourg e aposta em um repertório que passa longe das guitarras que marcaram sua carreira roqueira com "The Stooges". Iggy Pop acaba de lançar um novo disco intitulado "Preliminaires", liberando seu lado crooner com canções próprias e versões de outros clássicos.

Em sua coletiva de imprensa, que você pode ver na íntegra aqui, ele conta que gravou uma demo sozinho e enviou o material, via internet, para seu produtor. O cara curtiu, encontrou uma banda "a la Louis Armstrong", gravou os instrumentos e depois Iggy só acrescentou a voz. Segundo ele, foi ótimo não ter que encontrar os músicos, engomadinhos com seus ternos cinza para as gravações. Em palavras dele: "They are healthy american guys"". Dentro deste conjunto de insanidades (o que mais esperar?), a versão de "How Insensitive", de Tom Jobim. Esquisito, a gente não sabe se espera uma guitarrinha barulhenta entre um refrão e outro ou tenta encaixar na versão original. Não parece Iggy Pop. De todas as maneiras o que sim parece é que ele se divertiu bastante fazendo este album, no melhor estilo 'me deixa rir de mim mesmo'.

A música de trabalho, "King of the Dogs:, pode ver no vídeo interativo abaixo. Há três versões diferentes, todas bem legais.

01/06/2009

Kimya Dawson is playing in my house, in my house

Ontem, acabou oficialmente o Primavera Festival, o primeiro dos Festivais barcelonenses, como já leu aqui. E que melhor forma de acabar que um concerto da excêntrica Kimya Dawson, voz e violão, banquinho de boteco, de graça, na praça?

Paralelo a uma festa oficial de encerramento, na obrigatória Sala Apolo, a americana tocou os clássicos de sua carreira e as músicas que a fizeram famosa através da trilha sonora do filme Juno (2007). Clima totalmente descontraído, sem palco, sem glamour, sem esquemas de segurança e milhões de amplificadores. Como a música dela realmente deve ser. Provavelmente dentro do festival ela não se sentiria a vontade. E as milhões de pessoas, os inúmeros palcos simultâneos, os gigantes Bloc Party, Neil Young ou Sonic Youth iam desviar a atenção ou fazê-la parecer sonolenta. Ali, no Parque Joan Miró, ela pode tocar pra quem queria de verdade vê-la (e teve a sorte de estar presente).


E associado ao zero glamour de Kimya, pudemos presenciar a "dança" e a performance de um bêbado local, que subiu ao palco (a convite dela mesma) para "ilustrar" algumas de suas canções. Claro que a gente fez um videozinho.


Esse é mais um dos pontos que nos faz pensar sobre os rumos que a música toma (ou deveria tomar). Se o Primavera terminou extra-oficialmente assim, podemos também dizer que ele começou na quarta-feira (um dia antes dos shows oficiais e dia que o Barcelona conquistou a Champions) com a exibição do documentário "All Tomorrow's Parties" (co-dirigido por Jonathan Caouette) e da exibição dos vídeos da francesa Blogotheque com apresentação do criador Vincent Moon. Estes dois meios apontam para como a música pode ser vista, ouvida ou "consumida" de diferentes maneiras e para como isso, o (verdadeiro) artista deve tocar nos mais variados recintos, para os mais diferentes públicos e das mais diferentes formas. Se músico que é músico gosta de tocar e o público quer é ouvir, tanto faz se é num show dentro de um acampamento de férias (como faz o festival All Tomorrow's Parties - curadores de um dos palcos do Primavera Festival) ou se é uma apresentação para poucos em frente a um bar ou para ninguém, passeando pelas ruas francesas (para pegar exemplos de Bloc Party e do Andrew Bird, presentes nesta edição do Festival). Ou se é num parque, de graça, em mesa e banco de boteco, para uns poucos sobreviventes, como faz Kimya Dawson. Essa é a graça.

Por Ricardo Kenski, em colaboração para o blog.