28/01/2010

Invasão Francesa

Quando saímos daqui do Brasil em direção a Barcelona, há 2 anos e meio, vimos "Medos Privados em Lugares Públicos", filme de 2006 do genial Alain Resnais. Pensávamos que já nos aproximaria do velho continente e que me ajudaria a empolgar com o curso de cinema que fui fazer por lá. Pois me pareceu estranho que esse mesmo filme estreasse em Barcelona só em fevereiro de 2008, pelo menos uns seis meses depois. E mais estranho ainda é ver que hoje em dia, este mesmo filme segue em cartaz em São Paulo, junto com "Ervas Daninhas", o filme seguinte do mesmo diretor (de 2009).


Isso aponta para uma coisa que me parece curiosa: a Espanha está acostumada a pensar o Cinema - qualquer livraria têm sessões enormes de livros deste assunto (de autores -locais - também mais relevantes) e a versão da Cahiers du Cinema é melhor que qualquer publicação similar brasileira. Porém, nós damos muito mais espaço para o cinema Francês - e europeu, como um todo - apesar de estarmos historicamente e culturalmente sob influências tão diferentes.

Não sei se é por causa da mania bizarra (e nacionalista) deles de dublar todo e qualquer filme "comercial", ou se é porque filme "europeu" é também visto em Barcelona (que é também Europa, devo lembrar) como sendo filme alternativo ou intelectual e por isso é também projetado nas duas ou três salas estratégicas da cidade (e que aí, sim, passam filmes legendados).

O fato é que neste momento, há 13 filmes franceses em cartaz em São Paulo e pelo menos dois italianos, um sueco, um alemão e dois espanhóis, entre tantos outros. E não estamos numa cidade que está a 150 Km deste outro país.

Tudo bem que as maiores bilheterias do momento são por aqui a superprodução "Avatar" e a animação "Alvin e os esquilos 2", mas só de termos acesso a tudo isso estando aqui do outro lado do mundo, para mim já vale bastante.
por Ricardo Kenski

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