09/07/2009

Civilidade ou repressão?

A associação hoteleira de Barcelona apresentou ontem uma reclamação à prefeitura da cidade, pedindo ajuda para resolver problemas de "ordem cívica" em relação aos turistas. Eles propuseram uma lei que proíba o uso de biquini em lugares públicos, especialmente no centro antigo. O argumento é que este tipo de comportamento ajuda a decair a imagem de Barcelona, na qual o governo tem investido pesado nos últimos anos e tem gerado novos ingressos no setor turístico.

Jordi Clos, presidente do Gremio de Hoteleiros, contou ao jornal El País que este tipo de comportamento "obsceno" vem aumentando nos últimos cinco anos e é uma atitude que não se vê em Paris ou Londres, por exemplo. O que ele esquece de avaliar é que nenhuma destas duas cidades tem praia e tampouco atingem as temperaturas astronômicas que temos aqui no auge do verão.

Enfim, é uma discussão complexa e a medida é entendida por alguns como repressiva. Imagina se alguém decide propor isso no Rio de Janeiro?

Boniiiito também não é, né?

08/07/2009

Estar em casa!

Tem coisas que a gente só sente no Brasil mesmo... Estou na terrinha há duas semanas e entendi exatamente o que é que eu mais sinto falta daqui. Não dá para explicar direito. É o ambiente despreocupado e sem vergonha. Também não sei se essas são as palavras certas. Talvez o jeito de encarar a vida, que é quase imperceptível se você vive isso todos os dias.

Vi um comercial da Havaianas na TV e me emocionei. Porque é disso que eu estou falando. Sei que muitas coisas fazem a gente sentir raiva e até vergonha do Brasil, mas tem uma que todo mundo deveria aprender com a gente: não levar a vida tão a sério!
v.

07/07/2009

Pobre viaja de pé

O fenômeno das empresas low-cost que fazem vôos dentro da Comunidade Européia parece não ter limites. A Ryanair, uma das mais 'chungas' do setor, anunciou que pretende aprovar uma lei em que possa comercializar passagens ainda mais baratas para aqueles que queiram viajar de pé. A proposta é de modificar a parte traseira do avião e implantar cadeiras verticais, semelhantes a um balcão de bar, em que os passageiros poderão inclusive usar o cinto de segurança. Este tipo de assento deverá existir apenas em vôos com duração de menos de 90 minutos, caso as autoridades irlandesas (onde está sediada a cia.) aprovem o pedido.

A Ryanair é geralmente a que oferece as tarifas mais baratas, com vôos de menos de 5 euros, mas costuma utilizar aeroportos menores e mais afastados das grandes capitais, o que torna a viagem muito mais longa e às vezes até mais cara.

Como forma de compensar o lucro, as aeromoças são obrigadas a passar vendendo perfumes, relógios e outros artigos de freeshop. Um copo d'água a bordo chega a custar 2 euros. Há algumas semanas, o presidente da Ryanair anunciou que cobraria uma tarifa para os passageiros que quisessem utilizar os banheiros durante o vôo. Ao que tudo indica, tampouco será aprovada.

Cabine da Ryanair. Mais apertada que busão pra Heliópolis

06/07/2009

Tinta a óleo e enxada

Ela tem talento, enterra os quadros que pinta e ainda por cima é mulher de Paulo Coelho. Prato cheio para o jornal El País estampar uma matéria de página inteira sobre Christina Oiticica, que abandonou o diploma de arquitetura para se dedicar às artes plásticas. Hoje, ela inaugura uma exposição que apresenta, em Madri, seus quadros pintados "em parecia com a natureza". O projeto começou quando Christina pintou uma tela tão grande que não cabia em nenhum lugar da casa. Um pouco contrariada, deixou a obra no jardim, exposta ao vento, à chuva, à poeira. O resutado a surpreendeu e passou a utilizar a técnica de desgaste natural para acrescentar um efeito inovador às suas obras.


Assim como marido, Oiticica tem uma relação muito estreita com o Caminho de Santiago e as obras expostas a partir de hoje, na Galeria Biondetta, foram todas elaboradas neste trajeto. Desde a França até a Galícia, às margens do caminho, ela foi produzindo os quadros e os enterrava ali mesmo. "Minha arte é como o peregrino: necessita sair das quatro paredes do estúdio", explica ela ao jornal. Em cada região o efeito da natureza é diferente e por isso cada obra tem a característica do lugar onde foi enterrada.

Galeria Giondetta - Madrid
Calle Almagro, 30
A partir de hoje até dia 29 de julho

03/07/2009

World music o cacete!

Uma das primeiras coisas que qualquer brasileiro descobre quando sai do Brasil é como somos ignorantes em relação a outras culturas. Explico: uma vez no Paraguay, na casa de uma amiga, escutávamos músicas brasileiras no rádio a cada 15 minutos. Uma das músicas inclusive, fazia o pai lembrar contente que era um dos temas da novela "O Clone". No entanto, o que conhecemos de música paraguaia? Assim como os americanos, temos a tendência a colocar tudo que não é cantado em inglês (ou português) na categoria de World Music ou música exótica e não damos a devida importância.

Outro exemplo: ano passado saímos na Diada, o dia nacional da Catalunya (11 de setembro) para uns concertos que teriam na praça do Arco do Triunfo. Nesse dia tem shows por toda a cidade, passeatas, grupos independentistas fazem seus manifestos, associações abrem estandes próximo aos shows e tudo isso. Víamos o interessante show do "La troba Kung-fu", meio Manu Chao, algo Falamansa (eca!), cantando em catalão (claro!). Não é que acaba o show e eles me colocam o "Kaya na Gandaia", do nosso ex-ministro? E todos continuavam dançando, alguns arriscavam cantar e boa parte dos que estavam ali sabiam ao menos quem era Gilberto Gil. Uma amiga me pergunta "Você não gosta? Mas por quê? É que nem irlandês que não gosta de U2, australiano que não gosta de Midnight Oil...". E a Eli, outra amiga pergunta para essa "E o que nós não gostamos?". "Ah, vai saber... com certeza deve ter algo". Provavelmente deve ser algo espanhol, já que elas são catalãs (e separatistas... hehehe).

E de novo a pergunta: o que sabemos de música catalã ou de música espanhola? Conhecemos (é chato admitir) o que conhecem os americanos, em boa parte dos casos. Música em espanhol? Shakira, Ricky Martin, Buena Vista e Gotan Project, no máximo. Em Italiano? Eros Rapazote e Laura Pausinho, tão melosos. E os mexicanos do Café Tacuba? Os argentinos Los Rodriguez? O espanhol Jarabe de Palo? Esses ninguém conhece muito no Brasil e são um grande sucesso em toda a América Latina e Espanha.

Tudo isso para dizer que ontem tocou aqui por Barcelona, no Poble Espanyol, os Ben'Bop, grupo franco-senegalês, abrindo pro show do Emir Kusturica & the no Smoking Orchestra (que falaremos melhor em outro post, assim como os já citados Manu Chao e U2). Como todo show de abertura eles tocaram cedo, as pessoas estavam chegando, ainda estava claro (apesar de já ser 9 da noite) e ninguém conhecia. Mas a banda é realmente boa, os caras são empolgados e tem um elemento que pode ajudá-los no futuro: a presença do violinista Arnaud Samuel, ex-Louise Attaque (o nosso grupo francês favorito e grande sucesso por lá. Conhecem?), que faz você reconhecer o som no ato. Aí abaixo, uma pequena amostra do que foi o show. Escutem com a cabeça aberta e incluam mais uma nacionalidade na sua discoteca. Tão mais legal se vem do Senegal. Desfrute! E descubra mais no My Space da banda.


Por Ricardo Kenski, em colaboração para o blog

02/07/2009

Gracias, MERCI

O reinado da Colette, em Paris, pode estar ameaçado. Neste semestre foi inaugurada na cidade a MERCI, uma nova concept store de luxo, mas com algo mais. Além de uma seleção de moda exclusiva e impecável, a loja aposta no charity-business, em que destina parte dos lucros para associações de assistência social ao redor do mundo. O negócio pertence ao grupo da Bonpoint, tradicional marca francesa de roupas infantis, e ocupa uma casa de 1,5 mil metros quadrados no 3ème Arr. O blog de moda The Factualist fez uma lista dos principais motivos para amarmos a nova boutique:

- Coleções de marcas premium desenhadas exclusivamente para MERCI. Roupas masculinas, femininas, e infantis de marcas como Isabel Marant, Jérôme Dreyfuss, Marni, Paul & Joe, Stella McCartney, Swildens, Christian Tortu, YSL, entre outras.
- Os preços não são abusivos.
- As marcas representadas na loja destinam parte dos lucros a associações em Madagascar.
- O ambiente convida a uma experiência de estilo de vida e cultura, e não apenas de consumo.
- A seção de livros, com uma inspiração meio novaiorquina, convida a uma pausa para um chá ou café enquanto se lê livros de segunda mão, em diversos idiomas, doados por associações.
- O laboratório de Annick Goutal cria fragrancias "sob medida".
- No armarinho à moda antiga se pode comprar zíperes e botões
- A floricultura de Christian Tortu é linda

Mais um endereço obrigatório para anotar no moleskine.

01/07/2009

As rebajas e o consumo reprimido

Precisa ver a cara de pavor dos vendedores das grandes lojas de Barcelona, hoje. Me lembrou os tempos de São Paulo Fashion Week, em que trabalhava 16 horas por dia, aguentava os maiores pitis e ainda tinha que fazer cara de fofa. Pois foi com esse espirito que o batalhão comercial enfrentou o primeiro dia de "rebajas", ou "dia-oficial-de-espanhol-fazer-compras".

A partir de hoje (1.07) até 31 de agosto, os preços de roupas, sapatos, acessórios, celulares, computadores, ou seja tudo o que não é comida, tem descontos de até 70%. Considerando que este foi um ano super difícil por aqui por causa da crise econômica, a maioria dos consumidores tinham um impulso reprimido durante os últimos seis meses e hoje, dia tão aguardado, liberou a pequena verba para fazer um auto-afago.

O resultado são lojas lotadas, gente brigando, carrinho de bebê atropelando velhinho e eu no meio. Mas valeu a pena.

A Zara era a mais lotada e a mais organizada também. Precinhos de 5 a 79 euros.
A Mango, bem organizada e um pouco mais vazia. Tinha camiseta por 3 euros.
A H&M era pura zona, filas enormes nos provadores, mas tinha acessórios de 60 centavos.

Olha só como estava a Zara às 7h30 da noite: