03/07/2009

World music o cacete!

Uma das primeiras coisas que qualquer brasileiro descobre quando sai do Brasil é como somos ignorantes em relação a outras culturas. Explico: uma vez no Paraguay, na casa de uma amiga, escutávamos músicas brasileiras no rádio a cada 15 minutos. Uma das músicas inclusive, fazia o pai lembrar contente que era um dos temas da novela "O Clone". No entanto, o que conhecemos de música paraguaia? Assim como os americanos, temos a tendência a colocar tudo que não é cantado em inglês (ou português) na categoria de World Music ou música exótica e não damos a devida importância.

Outro exemplo: ano passado saímos na Diada, o dia nacional da Catalunya (11 de setembro) para uns concertos que teriam na praça do Arco do Triunfo. Nesse dia tem shows por toda a cidade, passeatas, grupos independentistas fazem seus manifestos, associações abrem estandes próximo aos shows e tudo isso. Víamos o interessante show do "La troba Kung-fu", meio Manu Chao, algo Falamansa (eca!), cantando em catalão (claro!). Não é que acaba o show e eles me colocam o "Kaya na Gandaia", do nosso ex-ministro? E todos continuavam dançando, alguns arriscavam cantar e boa parte dos que estavam ali sabiam ao menos quem era Gilberto Gil. Uma amiga me pergunta "Você não gosta? Mas por quê? É que nem irlandês que não gosta de U2, australiano que não gosta de Midnight Oil...". E a Eli, outra amiga pergunta para essa "E o que nós não gostamos?". "Ah, vai saber... com certeza deve ter algo". Provavelmente deve ser algo espanhol, já que elas são catalãs (e separatistas... hehehe).

E de novo a pergunta: o que sabemos de música catalã ou de música espanhola? Conhecemos (é chato admitir) o que conhecem os americanos, em boa parte dos casos. Música em espanhol? Shakira, Ricky Martin, Buena Vista e Gotan Project, no máximo. Em Italiano? Eros Rapazote e Laura Pausinho, tão melosos. E os mexicanos do Café Tacuba? Os argentinos Los Rodriguez? O espanhol Jarabe de Palo? Esses ninguém conhece muito no Brasil e são um grande sucesso em toda a América Latina e Espanha.

Tudo isso para dizer que ontem tocou aqui por Barcelona, no Poble Espanyol, os Ben'Bop, grupo franco-senegalês, abrindo pro show do Emir Kusturica & the no Smoking Orchestra (que falaremos melhor em outro post, assim como os já citados Manu Chao e U2). Como todo show de abertura eles tocaram cedo, as pessoas estavam chegando, ainda estava claro (apesar de já ser 9 da noite) e ninguém conhecia. Mas a banda é realmente boa, os caras são empolgados e tem um elemento que pode ajudá-los no futuro: a presença do violinista Arnaud Samuel, ex-Louise Attaque (o nosso grupo francês favorito e grande sucesso por lá. Conhecem?), que faz você reconhecer o som no ato. Aí abaixo, uma pequena amostra do que foi o show. Escutem com a cabeça aberta e incluam mais uma nacionalidade na sua discoteca. Tão mais legal se vem do Senegal. Desfrute! E descubra mais no My Space da banda.


Por Ricardo Kenski, em colaboração para o blog
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4 comentários:

  1. Eu até concordo que sbemos pouco do que acontece fora do Brasil (o que é normal, a não ser que vc seja um profissional da música), mas não acredito que a visão do brasileiro daquilo que é produzido em outras linguas seja igual ao que os americanos pensam. Nunca ouvi alguém dizer aqui que a música paraguaia, japonesa ou espanhola seja "World Music", a não ser nos momentos em que isso realmente se aplique, e não vejo aqueles que conheço encararem essas e outras culturas como "Exóticas". Existe uma diferença entre ignorar (no sentido de desconhecer) de ignorar (no sentido de despresar) e creio que essa distinsão não se fez aqui. De qualquer forma, foi um bom post, temos que nos manter humildes. Abraços!

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  2. Favor ignorar os erros de português, especialmente para "distinção". :-)

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  3. boa seu Herbs. estou de acordo. brasileiros se irritam quando também são colocados no rótulo "world music" (mesmo quando se aplica). e por isso não aplicam aos demais. mas porquê músicas de outras partes nem chegam no brasil quando fazem um puta sucesso no país vizinho, não me parece fazer muito sentido de qq forma... malditas gravadoras, seus jabás e suas estratégias de marketing.

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  4. Sim, é verdade, a designação de “world music” não é muito feliz e até tem músicos como Manu Chao que defendem que o termo é colonialista. Já Baaba Maal, por exemplo, não tem quaisquer problemas com a designação e aceita que sua música seja definida dessa forma. Entendo as razões de uns e dos outros mas acho que, como qualquer convenção, o jeito é mesmo ir aceitando para que saibam do que estamos falando! Eu amo os sons do mundo há muito tempo e é sempre bom encontrar alguém com quem bater um papo. Olha, da experiência que já vou acumulando em descobrir novos sons, o selo Putumayo é um excelente ponto de partida. Mas o melhor mesmo é ficar ligado em canais de rádio e/ou Internet que vão tocando as novidades da world music, não esquecendo de recuperar os “clássicos” e as músicas tradicionais (por vezes, em interpretações soberbas) dos vários cantos do mundo. E isso esse site Cotonete faz muito bem e vale a pena visitar todo o dia:
    http://cotonete.clix.pt/
    Experimente!

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